Dor cervical: causas, sintomas e tratamento com fisioterapia

A dor cervical é uma queixa muito comum e pode manifestar-se como dor, tensão ou rigidez na região do pescoço. Em alguns casos, o desconforto estende-se aos ombros, à zona entre as omoplatas, à cabeça ou aos membros superiores.

Embora possa limitar bastante o movimento e as atividades diárias, a maioria dos episódios não está associada a um problema grave e tende a melhorar ao longo de alguns dias ou semanas. Manter o pescoço em movimento, dentro do tolerável, costuma ser mais benéfico do que imobilizá-lo ou evitar todas as atividades.

Quais são os sintomas mais frequentes?

A dor cervical pode apresentar-se de diferentes formas:

  • Dor localizada no pescoço;
  • Rigidez ou dificuldade em rodar a cabeça;
  • Sensação de tensão nos ombros;
  • Dor entre as omoplatas;
  • Dores de cabeça que começam na zona posterior do pescoço;
  • Dor que se estende ao ombro ou ao braço;
  • Formigueiro ou dormência no braço ou na mão;
  • Sensação de cansaço ao manter a cabeça na mesma posição.

Os sintomas podem surgir de forma repentina, por exemplo ao acordar, ou desenvolver-se gradualmente.

Quais são as causas mais comuns?

Nem sempre é possível identificar uma única causa. A dor pode resultar da combinação de fatores físicos, emocionais, profissionais e relacionados com o estilo de vida.

Entre os fatores mais comuns encontram-se:

  • Permanecer muito tempo na mesma posição;
  • Alterações recentes na carga de trabalho ou de treino;
  • Movimentos repetitivos;
  • Dormir numa posição pouco confortável;
  • Stress, ansiedade ou tensão emocional;
  • Sono insuficiente ou pouco reparador;
  • Redução da força e da resistência muscular;
  • Traumatismos, como quedas ou acidentes rodoviários;
  • Irritação de um nervo cervical;
  • Episódios anteriores de dor.

As alterações relacionadas com o envelhecimento, frequentemente descritas em exames como desgaste, artrose ou espondilose cervical, também são muito comuns em pessoas que não têm sintomas. Por isso, um resultado de imagem deve ser sempre interpretado em conjunto com a história clínica e o exame físico.

A postura é responsável pela dor cervical?

Não existe uma única postura “correta” que previna todos os episódios de dor cervical. A relação entre postura e dor é mais complexa do que simplesmente estar sentado direito ou curvado.

Uma posição pode tornar-se desconfortável quando é mantida durante demasiado tempo, mesmo que pareça adequada. Em geral, é mais importante variar de posição, movimentar-se regularmente e adaptar o espaço de trabalho do que tentar permanecer sempre numa postura rígida.

Se trabalha muitas horas ao computador, procure:

  • Apoiar os antebraços;
  • Colocar o monitor numa altura confortável;
  • Aproximar o teclado e o rato;
  • Fazer pequenas pausas ao longo do dia;
  • Alternar entre estar sentado, de pé e em movimento;
  • Evitar segurar o telemóvel entre o ombro e a cabeça.

Estas adaptações devem promover conforto e variedade, não uma postura perfeita.

Devo fazer uma radiografia ou ressonância magnética?

Na maioria dos casos de dor cervical inespecífica, os exames de imagem não são necessários numa fase inicial. A avaliação clínica permite identificar padrões de movimento, alterações neurológicas e possíveis sinais de alerta.

Uma radiografia ou ressonância poderá ser considerada quando existe suspeita de uma causa específica, após um traumatismo relevante ou quando o resultado poderá alterar a decisão clínica.

O que fazer durante uma crise de dor cervical?

Dentro do que for confortável e seguro, procure manter as atividades habituais. Evitar completamente o movimento ou utilizar um colar cervical sem indicação médica pode aumentar a rigidez e atrasar a recuperação.

Algumas estratégias que poderão ajudar incluem:

  • Movimentar suavemente o pescoço várias vezes ao dia;
  • Evitar permanecer muito tempo na mesma posição;
  • Fazer pequenas caminhadas;
  • Adaptar temporariamente as atividades mais exigentes;
  • Utilizar calor, sempre com uma proteção entre a pele e a fonte térmica;
  • Escolher uma almofada que mantenha o pescoço confortável;
  • Dormir e recuperar adequadamente;
  • Retomar o exercício de forma gradual.

Antes de se medicar, peça sempre aconselhamento ao seu médico ou farmacêutico, especialmente se tiver outros problemas de saúde ou tomar outros medicamentos.

Como pode a fisioterapia ajudar?

A fisioterapia começa por uma avaliação dos sintomas, mobilidade, força, sensibilidade, reflexos, atividades diárias e possíveis fatores que estejam a contribuir para o problema.

Dependendo das necessidades e objetivos de cada pessoa, o tratamento poderá incluir:

  • Educação sobre a dor e o processo de recuperação;
  • Exercícios de mobilidade cervical;
  • Fortalecimento dos músculos do pescoço, ombros e tronco;
  • Trabalho de resistência muscular;
  • Exposição gradual aos movimentos que provocam receio;
  • Estratégias para gerir o esforço no trabalho;
  • Orientação para o regresso ao treino ou ao desporto;
  • Técnicas manuais, quando adequadas;
  • Plano de exercícios para realizar em casa.

A terapia manual pode proporcionar alívio em alguns casos, mas os melhores resultados tendem a surgir quando é integrada num programa que também inclui exercício, educação e participação ativa. As recomendações clínicas para fisioterapia apoiam a utilização de exercício direcionado ao pescoço, cintura escapular e tronco, adaptado ao tipo e duração dos sintomas.

Não existe um exercício universal para todas as pessoas com dor cervical. A seleção deve considerar a avaliação, os sintomas, os objetivos e a resposta individual ao movimento.

Quando deve procurar ajuda urgente?

Procure avaliação médica urgente se a dor cervical surgir após um traumatismo significativo ou for acompanhada por:

  • Fraqueza súbita ou progressiva nos membros;
  • Dificuldade em caminhar ou alterações de equilíbrio;
  • Perda de coordenação ou dificuldade em tarefas como apertar botões;
  • Dormência ou formigueiro nos membros;
  • Alterações recentes no controlo da bexiga ou do intestino;
  • Dor de cabeça súbita e muito intensa;
  • Febre, rigidez marcada do pescoço e mal-estar;
  • Dificuldade em falar ou engolir;
  • Alterações da visão, como visão dupla;
  • Queda de um lado da face ou dificuldade em levantar ambos os braços.

Alguns destes sintomas podem representar uma emergência neurológica. Perante o seu aparecimento súbito, contacte de imediato os serviços de emergência.

Também é aconselhável procurar avaliação médica se existir historial de cancro, perda de peso inexplicada, dor intensa durante a noite ou agravamento progressivo.

Quando marcar uma avaliação de fisioterapia?

Considere marcar uma avaliação quando a dor:

  • Limita o trabalho, o sono ou as atividades diárias;
  • Persiste durante várias semanas;
  • Regressa com frequência;
  • Se estende para o ombro ou braço;
  • Provoca formigueiro ou dormência;
  • Dificulta o exercício ou a prática desportiva;
  • Cria receio de movimentar o pescoço;
  • Não está a evoluir como esperava.

Uma avaliação individual permite identificar as necessidades específicas de cada pessoa e estabelecer um plano de recuperação seguro, progressivo e orientado para os seus objetivos.

Sente dor cervical ou rigidez no pescoço? Marque uma avaliação no daVILA e descubra como a fisioterapia pode ajudá-lo a recuperar o movimento, a confiança e a qualidade de vida.

 

Este artigo é de caráter informativo e não substitui uma avaliação realizada por um profissional de saúde.

Pretende receber planos de prevenção de lesão?

Deixe-nos o seu contacto!
Scroll to Top