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Dor lombar: causas, sinais de alerta e como a fisioterapia pode ajudar
A dor lombar é uma das queixas musculoesqueléticas mais frequentes. Caracteriza-se por dor ou desconforto na região situada entre as últimas costelas e as nádegas, podendo também provocar rigidez, limitação dos movimentos ou dor irradiada para um ou ambos os membros inferiores.
Apesar de poder ser bastante incapacitante, na maioria dos casos a dor lombar não está associada a uma lesão grave. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 90% dos episódios são classificados como dor lombar inespecífica, isto é, não existe uma única alteração estrutural que explique os sintomas. A recuperação tende a ser favorável, sobretudo quando se mantém um nível adequado de atividade e se recebe orientação individualizada (OMS).
Dor lombar aguda ou crónica: qual é a diferença?
A dor lombar pode ser classificada de acordo com a sua duração:
- Aguda: dura dias ou poucas semanas;
- Crónica: persiste por mais de doze semanas.
Esta classificação não determina, por si só, a gravidade do problema. Uma dor intensa e recente não significa necessariamente que exista uma lesão grave. Da mesma forma, uma dor prolongada pode ser influenciada por vários fatores físicos, emocionais, profissionais e sociais.
Quais são as causas mais comuns?
A dor lombar pode surgir após um esforço diferente do habitual, um aumento repentino da atividade física, períodos prolongados na mesma posição ou movimentos repetitivos. No entanto, muitas vezes não é possível identificar um único acontecimento responsável.
Entre os fatores que podem contribuir para o aparecimento ou persistência dos sintomas encontram-se:
- Redução da atividade física;
- Alterações recentes na carga de treino ou de trabalho;
- Permanência prolongada na mesma posição;
- Sono insuficiente ou pouco reparador;
- Stress, ansiedade ou preocupação excessiva com a dor;
- Tabagismo;
- Excesso de peso;
- Trabalho fisicamente exigente;
- Episódios anteriores de dor lombar.
Isto não significa que todas as pessoas com estes fatores desenvolverão dor. Cada caso é diferente e deve ser avaliado no seu contexto.
Dor lombar e dor ciática são a mesma coisa?
Não. A dor lombar localiza-se predominantemente na região inferior das costas. A dor ciática — ou dor radicular no trajeto do nervo ciático — pode surgir quando existe irritação de uma raiz nervosa e tende a irradiar para a nádega, coxa e perna. Pode ser acompanhada por formigueiro, dormência ou diminuição da força.
Ter dor na perna não significa automaticamente que exista uma situação grave. Contudo, a presença de alterações neurológicas deve ser avaliada por um profissional de saúde.
Devo fazer uma radiografia ou ressonância magnética?
Na maioria dos episódios de dor lombar, os exames de imagem não são necessários numa fase inicial. Alterações como desgaste dos discos, hérnias ou artrose podem estar presentes em pessoas sem qualquer dor e nem sempre explicam os sintomas.
Uma radiografia ou ressonância deve ser considerada quando a avaliação clínica levanta a suspeita de uma causa específica ou quando o resultado poderá alterar o tratamento.
O repouso é a melhor solução?
O repouso prolongado na cama não costuma ajudar e pode aumentar a rigidez, reduzir a força e tornar o regresso às atividades mais difícil. Na maioria dos casos, é preferível manter-se ativo dentro do tolerável, adaptando temporariamente as tarefas que agravam muito os sintomas.
Durante uma crise, poderá ajudar:
- Fazer pequenas caminhadas ao longo do dia;
- Alternar regularmente entre estar sentado, de pé e em movimento;
- Evitar permanecer muitas horas na mesma posição;
- Dividir tarefas exigentes em etapas mais pequenas;
- Retomar gradualmente as atividades habituais;
- Utilizar calor, se proporcionar alívio;
- Manter rotinas de sono e atividade física tão regulares quanto possível.
Não existe uma postura perfeita que tenha de ser mantida durante todo o dia. Geralmente, variar de posição e movimentar-se com frequência é mais útil do que tentar permanecer sempre numa postura rígida.
Como pode a fisioterapia ajudar?
A fisioterapia começa por uma avaliação detalhada dos sintomas, da mobilidade, da força, das atividades diárias e dos fatores que podem estar a dificultar a recuperação. O objetivo não é apenas reduzir a dor, mas também recuperar a confiança no movimento e a capacidade para trabalhar, praticar exercício físico e realizar as tarefas habituais.
Dependendo das necessidades de cada pessoa, o tratamento poderá incluir:
- Explicação clara sobre a dor e o processo de recuperação;
- Exercício terapêutico adaptado;
- Trabalho de mobilidade, força e resistência;
- Exposição gradual aos movimentos ou tarefas que provocam receio;
- Estratégias para gerir crises e distribuir melhor o esforço;
- Orientação para o regresso ao trabalho ou ao desporto;
- Técnicas manuais, quando adequadas, integradas num plano que inclua exercício e participação ativa.
Não existe um único exercício ideal para todas as pessoas com dor lombar. O programa deve considerar os sintomas, os objetivos, as preferências e a condição física de cada utente. Para a dor lombar crónica, a Organização Mundial da Saúde recomenda uma abordagem personalizada e integrada, capaz de considerar fatores físicos, psicológicos e sociais.
Quando deve procurar ajuda urgente?
Embora sejam pouco frequentes, alguns sintomas exigem avaliação médica urgente. Procure um serviço de urgência se a dor lombar surgir acompanhada de:
- Dificuldade recente em urinar ou controlar a bexiga;
- Perda de controlo intestinal;
- Dormência na zona genital, entre as coxas ou em redor das nádegas;
- Fraqueza súbita ou progressiva nos membros inferiores;
- Dor ou alterações neurológicas nos dois membros inferiores;
- Febre, arrepios ou mal-estar geral;
- Traumatismo significativo.
- Antecedentes de cancro, perda de peso inexplicada, dor noturna intensa e persistente ou agravamento progressivo dos sintomas.
Quando marcar uma avaliação de fisioterapia?
Considere procurar um fisioterapeuta quando a dor:
- Limita o trabalho, o sono ou as atividades diárias;
- Se mantém ou regressa frequentemente;
- Irradia para um membro inferior;
- Provoca receio de se movimentar;
- Dificulta o regresso ao exercício ou ao desporto;
- Não está a evoluir como esperava.
Uma avaliação individual permite perceber quais os fatores mais relevantes no seu caso e definir um plano de recuperação seguro e progressivo.
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Este artigo é de caráter informativo e não substitui uma avaliação realizada por um profissional de saúde.
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